quarta-feira, 12 de maio de 2010

Click


Ana Oliveira

Hoje senti um click e senti saudade deveras muita daqui e pensei porque nao voltar e ficar ...
Dai me lembre de Adelia Prado que disse:

"Então eu virei pra ela e falei assim: ah, nada, boba,
também é assim, se der, bem, se não der, amém,
toca pra frente."

Prometo voltar a cultivar meus bons e velhos rituais.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sim eu sou Alice

As vezes tornasse necessário sonhar e fantasiar a vida passa a ter mais cores.

Sonhar faz parte

Acredito

No coelho branco e nossa ânsia de viver a vida.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Se o coração bater forte e arder.
No fogo o gelo vai queimar...
Nando Reis

quinta-feira, 18 de março de 2010


Ola pessoal

Estou de volta, muitas mudanças depois....
Feliz Natal
Feliz Ano Novo
Feliz dia da mulher
Feliz feliz feliz feliz feliz feliz feliz


"manda-me tudo pelo vento:envolto em nuvens, selado com estrelas tingido de arco-íris, molhado de infinito (lacrado de oriente, se encontrares)"
Caio F. de Abreu

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Aquela mancha diesel do sovaco, aquela gasolina pelo corpo. Odor concentrado, acampado nos ombros. Suor impossível de esconder, de quem está de pé no ônibus todo dia, de quem trabalhou desde manhãzinha e não trocou de roupa, de cor, de sol. Suor de engarrafamento, de janela aberta, de cabine de caminhão. Suor macabro, frio e quente, de espanto e insistência. Suor que secou e voltou a correr. De usar as mangas, raspar os botões, embaçar óculos. Suor de alardear cães de caça, própria da solidão de um foragido. Camisa empapada, calça já colando nas pernas. Suor de quem jogou futebol duas horas e ainda está pingando, com os cabelos desordeiros e a barba alerta. Qualquer mulher apressaria o chuveiro. Qualquer mulher mandaria me arrumar antes de conversar. Qualquer mulher abriria barreira com os braços: "Nem se aproxima". Qualquer mulher teria nojo, olharia de canto para não me enfrentar de frente. Qualquer mulher torceria o nariz e pegaria uma revista para fingir leitura enquanto espera. Para que me livrasse de mim, do hóspede incômodo, intruso. Que tranquilizasse primeiro a carne com sabonete e espuma, que arborizasse rapidamente o pescoço. Qualquer mulher, não a minha. Ela me enlaça quando chego. Nem me deixa explicar. Agradece que fui recebê-la assim, desajeitado, direto da rua, do compromisso. Atraída pelo meu cheiro como um animal em extinção. Aviso que vou me lavar, ela acena que não. Eu me desculpo dos modos, ela encaixa as pernas na minha cintura. Mantenho o respeito, ela confessa que gosta da brutalidade, da crueza. Tento afastá-la, ela xinga que não está nem aí. Vai me encabulando de anseios. Diz que é química. Não respira, fareja. Persegue cidades em mim. Repassa seu nariz pelo meu braço, de um lado para outro, de um lado para o outro, como quem enxágua os traços. Pede que eu tire as roupas, que venha para dentro. Agora.

Fabrício Carpinejar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Esperança




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Mario Quintana

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009